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Fala pessoal!
Nesse artigo eu gostaria de compartilhar uma situação que costuma ocorrer de vez em quando no meu dia a dia de consultor, atendendo vários clientes e ambientes diferentes, e que na sexta-feira voltou a ocorrer, que é quando existem “coisas estranhas” em strings e tabelas (uma alusão ao seriado “Stranger Things”), que é a ocorrência de caracteres não visíveis.

Após ajudar um consultor a identificar e resolver isso, pensei em criar uma solução prática de resolver isso de forma mais rápida nas próximas vezes e também ajudar outras pessoas que possam ter esse problema no seu dia a dia, o que é costuma ocorrer especialmente em ambientes que acabaram de passar por migração ou trabalham com importação de dados de vários sistemas, API’s ou arquivos.

Simulando o problema

Para demonstrar a vocês esse problema acontecendo, vou criar uma tabela bem simples, e preencher essa tabela com valores aleatórios e uma linha fixa que vou inserir. Para isso, vou utilizar uma função para gerar valores aleatórios, que é a fncRand, especialmente útil para utilizar em funções:

Com essa função, vou criar a tabela e inserir alguns valores aleatórios:

Exemplo da tabela gerada:

Agora que criamos a tabela, vou demonstrar o que o cliente estava tentando fazer, não conseguiu e nos acionou para ajudar a entender o que estava acontecendo:

Ué.. A consulta de igualdade não retornou nada, só a utilizando o operador LIKE. Copiei e colei a string retornada pela consulta do LIKE e mesmo assim não funcionou.. O que está acontecendo ?

Identificando o problema de caracteres ocultos

Bom, provavelmente devem ter caracteres ocultos no meio da string.. Uma forma bem rápida de descobrir isso é contar a quantidade de caracteres da string e analisar quantos caracteres conseguimos visualizar:

Conforme o print acima, eu consigo visualizar 8 caracteres, mas a string possui 10, de acordo com as funções LEN e DATALENGTH, o que provavelmente indica que temos caracteres “invisíveis” na nossa coluna ou string, que podem ser os caracteres de controle da tabela ASCII (lembrando que a tabela varia de acordo com o idioma e o collation):

Para saber mais sobre a função DATALENGTH e a sua diferença para a função LEN, dê uma lida no artigo SQL Server – Como identificar as ocorrências de um caractere específico numa string ou tabela.

Para ajudar nessa identificação, criei a função abaixo que nos ajudará a identificar as linhas que possuem esses caracteres de controle:

Para conhecer mais sobre o PATINDEX utilizado junto com expressões regulares (RegExp), sugiro a leitura do artigo SQL Server – Como utilizar expressões regulares (RegExp) no seu banco de dados.

A sua utilização é bem simples, e retorna os registros que possuem caracteres “não visíveis”:

Identificando quais são os caracteres ocultos

Precisamos agora identificar quais são esses caracteres ocultos para avaliar se vamos tentar substituí-los ou não. Para facilitar essa tarefa, criei a função fncMostra_Caracteres_Ocultos, que vai receber a string original e retornar a posição e qual o código ASCII de cada caracter oculto na string:

Exemplo de utilização – Analisando uma string

Exemplo de utilização – Analisando registros de uma tabela

Retornando os dados sem os caracteres ocultos

Com a função fncMostra_Caracteres_Ocultos, consegui identificar quais os caracteres da minha string que estão fazendo o meu select de igualdade não retornar os dados. Vou testar se é isso mesmo:

Caso você queira retornar as informações sem os caracteres “invisíveis” de uma forma ainda mais fácil, pode utilizar a função fncRemove_Caracteres_Ocultos:

Exemplo de utilização da função fncRemove_Caracteres_Ocultos:

Caso você queira remover acentos e caracteres especiais, além dos caracteres ocultos, recomendo a leitura do artigo Como remover acentuação e caracteres especiais de uma string no SQL Server.

Observação importante: Assim como toda função UDF, essas funções podem causar uma lentidão ao serem utilizadas em grandes volumes de dados. Caso você precise utilizá-las com frequência em grandes volumes de dados, sugiro implementar funções utilizado SQLCLR, uma vez que geralmente elas entregam uma performance muito superior às funções UDF T-SQL, conforme eu já expliquei no artigo SQL Server – Comparação de performance entre Scalar Function e CLR Scalar Function.

Bom pessoal, espero que tenham gostado dessa dica que estou compartilhando com vocês e que essas funções podem ser úteis no dia a dia de vocês.
Um grande abraço e até o próximo artigo.

4 Comments

  1. Boa tarde…
    Ótimo artigo Dirceu, show de bola!

    Tive o mesmo problema do Alexandre e consegui resolver adicionando duas aspas ” simples na frente do hífen. Com isso o “-” parou de ser sinalizado como carácter especial.

    Acredito q isso tenha ocorrido pq o hífen faz parte da sintaxe do sql quando nos referimos a listas (ex [0-9]). É por isso Dirceu?

    Porém gostaria agora de adicionar o tab a lista dos permitidos, e este eu não consegui ainda. Tem como eu colocar pelo código ASCII Dirceu?

    Sandro Alemão

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